
Enquanto pacientes aguardam atendimento e professores seguem cobrando valorização, a Prefeitura decidiu carimbar o passaporte do secretário de Turismo, Haenell Farias, rumo a Portugal. A missão internacional pode até ter sido vendida como estratégica, mas o custo da “experiência europeia” já chama atenção: cerca de R$ 25 mil apenas em diárias. Somadas às passagens aéreas, que ultrapassam R$ 10 mil, a conta passa fácil dos R$ 35 mil — tudo pago com dinheiro público.
O problema não é viajar. É a prioridade.
A mesma gestão que banca feira internacional enfrenta reclamações persistentes na saúde municipal. O hospital local convive com queixas sobre atendimento e estrutura. Na educação, profissionais seguem pressionando por melhores condições e reconhecimento. Em algumas creches, educadoras sociais relatam receber em torno de R$ 800 mensais e ainda acumular funções que extrapolam o cuidado pedagógico, incluindo limpeza pesada. Valorização, ao que parece, ainda não embarcou no mesmo voo.
E não é episódio isolado. Já houve o caso dos fogos de artifício anunciados para Intermares, ao custo de R$ 411.811,50 — um espetáculo que iluminou o céu, mas deixou sombras sobre as prioridades da gestão.
A pergunta que ecoa nas ruas é simples: qual é a ordem das urgências? Quando falta estrutura no hospital e sobram queixas nas escolas, investir alto em agendas internacionais parece desconectado da realidade local. Turismo pode ser vitrine, mas saúde e educação são alicerce.
E, até agora, a impressão é que a Prefeitura anda escolhendo mais a vitrine do que o alicerce.




