
Um grupo de empresários da Paraíba montou uma verdadeira ponte aérea para tentar abocanhar a operação da nova loteria estadual do Acre sem enfrentar concorrência pública. Documentos internos oficiais mostram que a jogada foi articulada para viabilizar a contratação sem licitação, atropelando a disputa de mercado.
Toda a movimentação conta com o aval direto da administração da governadora Mailza Assis, em pleno ano de eleições estaduais, enquanto a própria gestora trabalha para garantir a reeleição. Para fazer o projeto avançar sem entraves, a estrutura governamental chegou a transferir as competências do negócio da pasta do Esporte para a da Fazenda, com o objetivo de acelerar a tramitação.
Os encontros entre operadores privados e integrantes do poder público multiplicaram-se nas últimas semanas, com viagens constantes a Rio Branco e João Pessoa e reuniões a portas fechadas no próprio comitê e em secretarias de Estado. A ponte aérea funcionou nos dois sentidos, incluindo recepções informais em João Pessoa para orientar e alinhar as exigências da burocracia governamental.
No processo administrativo interno, as justificativas foram sendo moldadas para defender a dispensa de concorrência sob o argumento de contratação de serviço técnico especializado, com direito a alterações em publicações oficiais para enquadrar o serviço. O caso levanta questionamentos sobre a influência de grupos do mercado de apostas do Nordeste sobre a máquina pública do Acre durante o período eleitoral.



